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Maranhão

Jovens investigados por camiseta com apologia ao nazismo contam que amigo desenhou modelo e grupo mandou confeccionar peças

Trio investigado pela Polícia Civil do Maranhão afirmou que um quarto amigo criou as estampas das camisetas usadas em ato político em Grajaú. Peças foram feitas para provocar eleitores do então candidato Lula.

Por Atualizada em 28/10/2026 às 04:00

Jovens investigados por camiseta com apologia ao nazismo contam que amigo desenhou modelo e grupo mandou confeccionar peças
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Três jovens suspeitos de fazer apologia ao nazismo em publicações nas redes sociais relataram em depoimento à Polícia Civil do Maranhão (PC-MA) que um quarto amigo criou as estampas das camisetas usadas pelo grupo em Grajaú, a 580 km de São Luís.

Segundo o trio, as peças foram confeccionadas para provocar eleitores do então candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT), adversário do candidato que apoiavam na eleição.

Os jovens foram identificados como Gabriel Araújo Silva, de 22 anos; James de Sena Ferreira, de 19; e Lucas Alves de Almeida, de 22. Eles prestaram depoimento à Polícia Civil na segunda-feira (26) e as camisetas usadas foram apreendidas.

A foto em que os três aparecem usando camisetas com frases como “Deus, Pátria e Família” e “Long Live Fascism” (“Vida longa ao fascismo”, em português) foi tirada durante um ato político de apoio ao então candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), em Grajaú.

No depoimento obtido pelo g1, os jovens afirmaram que o amigo, identificado apenas como Arthur, incentivou a produção das peças e criou as estampas. Cada camiseta custou R$ 60 e, segundo os jovens, Arthur desistiu de usar a peça no ato político.

Após a publicação da foto em uma rede social, os jovens disseram que receberam críticas, por isso apagaram a publicação e em seguida excluíram os perfis nas redes sociais.

De acordo com os depoimentos, os três afirmaram que não conheciam o significado dos símbolos estampados nas roupas nem sabiam que a divulgação desse tipo de material poderia configurar crime no Brasil.

A defesa alega ainda que os jovens repudiam o nazismo, o fascismo e qualquer forma de ódio, racismo ou preconceito.

Ao g1, Lucianno Morais, advogado de defesa dos jovens, informou que eles estão à disposição das autoridades e vão colaborar com o curso das investigações.

Investigação e antecedentes

De acordo com a Polícia Civil, Lucas Alves de Almeida já foi alvo de um inquérito da Polícia Federal por suspeita de crime de ódio. Segundo as investigações, ele fez críticas a uma exposição relacionada ao movimento LGBTQIA+ nas dependências do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), em Grajaú, onde estudava na época. O jovem afirmou que o procedimento foi arquivado.

Segundo o delegado de Grajaú, Assis Ramos, as camisetas usadas pelos jovens foram apreendidas na segunda-feira (26) e encaminhadas à Polícia Federal, que deve dar prosseguimento às investigações.

O quarto jovem, citado nos depoimentos como responsável pela arte das estampas, também deve ser intimado para prestar esclarecimentos à Polícia Federal.

Ao g1, a Polícia Federal informou que até o momento não recebeu o inquérito realizado pela Polícia Civil.

Apologia ao nazismo na legislação brasileira

A apologia do nazismo se enquadra na Lei 7.716/1989, segundo a qual é crime:

Essa lei é respaldada pela Constituição, que classifica o racismo como crime inafiançável e imprescritível, o que significa que pode ser julgado a qualquer momento, independentemente do tempo decorrido desde a conduta.

Nota da defesa dos jovens

"A defesa dos jovens que aparecem na fotografia divulgada em Grajaú/MA informa que eles repudiam o nazismo, o fascismo e qualquer forma de ódio, racismo ou preconceito.

Os jovens estão à disposição das autoridades e vão colaborar com a apuração, que deve seguir seu curso regular, com respeito ao devido processo legal, à ampla defesa e à presunção de inocência.

Todos os esclarecimentos serão prestados nos autos, perante as autoridades competentes. A defesa pede que a imagem, a segurança e a integridade dos jovens e de suas famílias sejam respeitadas.

Lucianno Carvalho Morais - OAB/MA 16.658"

Fonte original: g1.globo.com

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