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Política

Propostas como tabelar os juros ou queimar reservas cambiais não estão em avaliação, diz Durigan

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, e Aloizio Mercadante negam que o governo Lula avalie propostas para tabelar a taxa Selic ou usar reservas cambiais, e desmentem reunião entre Lula e o economista André Lara Resende.

Por Atualizada em 02/11/2026 às 17:00

Propostas como tabelar os juros ou queimar reservas cambiais não estão em avaliação, diz Durigan
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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou que estejam em avaliação propostas como tabelar os juros da taxa Selic ou queimar reservas cambiais para compensar eventual saída de capitais do Brasil no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O posicionamento do ministro ocorre após interlocutores do presidente Lula repercutirem a possibilidade de um encontro nesta semana entre o presidente e o economista André Lara Resende, um dos idealizadores do Plano Real e defensor dessas propostas.

A informação sobre a reunião foi publicada pelo jornal O Globo, mas Durigan afirmou que não há agenda prevista entre Lula e Resende.

"Vários economistas estão se colocando à disposição para dialogar com o presidente [Lula] e com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, mas não há nada agendado. Não há agenda com o presidente Lula e o economista André Lara Resende"

Mercadante, histórico aliado de Lula e conselheiro na campanha presidencial de 2022, também negou que as propostas de André Lara estejam em discussão no governo ou que haja encontro agendado entre Lula e o economista.

"O governo Lula sempre governou assegurando transparência e previsibilidade da política econômica. O presidente precisa definir as responsabilidades pela economia e caberá a nova equipe construir as equipes e estabelecer os diálogos"

Segundo Mercadante, o presidente Lula começará a discutir o quarto mandato a partir de terça-feira (3).

Após vencer a disputa presidencial contra Flávio Bolsonaro (PL), Lula tem se mantido recolhido no Palácio da Alvorada e, nos últimos dias, na Residência Oficial na Granja do Torto para descanso e recuperação da voz.

A proposta de André Lara Resende

Em publicação no fim de setembro, André Lara Resende propôs um novo arranjo entre as políticas fiscal e monetária para reduzir a taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

O plano do economista prevê a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, que definiria metas fiscais e monetárias para um período de quatro a cinco anos.

"Para dar início ao novo regime fiscal e monetário, o BC anunciaria a redução gradual do juro básico, ao longo de cerca de 12 meses, para a taxa de crescimento nominal potencial mais um spread transitório de segurança de 2%, isto é, perto de 7,5% ao ano. Este spread de segurança seria periodicamente reavaliado e gradualmente reduzido até ser eliminado"

No texto, Resende critica a alta da taxa de juros:

"A economia tem um problema básico: a extraordinariamente alta taxa básica de juros. Um problema que tem solução clara. Só é preciso vencer os preconceitos associados a uma teoria monetária e fiscal anacrônica"

Nas redes sociais, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-ministra das Relações Institucionais de Lula, defendeu o artigo do economista e afirmou que a publicação é "fundamental para enfrentar a ofensiva sobre a política fiscal brasileira".

Em outra postagem, Gleisi criticou a repercussão negativa no mercado financeiro sobre o possível encontro entre Lula e Resende, afirmando que "o mercado financeiro tem o DNA do autoritarismo".

Foto: Dario Durigan, Ministro da Fazenda do Brasil, durante entrevista à Reuters em Pequim, China. Maxim Shemetov / Reuters

Fonte original: g1.globo.com

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