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Política

Senadores de partidos de esquerda traçam estratégias para fazer frente à bancada recorde do PL

Senadores eleitos e reeleitos do PT, PSB e PDT avaliam os desafios da bancada recorde do PL no Senado a partir de 2027 e destacam a importância da articulação, diálogo e mobilização para defender pautas progressistas.

Por Atualizada em 30/10/2026 às 01:30

Senadores de partidos de esquerda traçam estratégias para fazer frente à bancada recorde do PL
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A bancada recorde do PL no Senado, que assume em 2027, trará um desafio de articulação não só para o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas também para parlamentares petistas e de outros partidos de esquerda. O PL ocupará sozinho mais de um terço da Casa.

O g1 entrevistou senadores eleitos pela primeira vez e reeleitos do PT, PSB e PDT para saber como eles se preparam para lidar com os numerosos colegas do PL, partido de Jair Bolsonaro, e para trabalhar por propostas do governo Lula.

Composição do Senado e desafios da bancada do PL

A composição do Senado ainda poderá sofrer alterações até fevereiro de 2027, quando assumem os eleitos em 2026, já que candidatos eleitos e senadores em exercício podem trocar de partido ou assumir cargos no Executivo.

Caso os números atuais se confirmem, o PL terá a maior bancada partidária no início de uma legislatura desde a promulgação da Constituição de 1988. O partido elegeu 19 senadores nas eleições de domingo (4) e deverá reunir 28 dos 81 integrantes da Casa. O recorde anterior pertencia ao MDB, então PMDB, que iniciou a legislatura de 1999 com 27 senadores.

Essa também é a primeira vez desde 1988 que um único partido elegeu 19 senadores em uma mesma eleição. Até então, o maior número havia sido 14, alcançado pelo antigo PMDB em 1994 e 2010 e pelo extinto PFL em 2002.

Enquanto isso, PT, PSB, Rede e PDT deverão reunir, somados, 15 senadores a partir de 2027. Outros 37 parlamentares estarão distribuídos entre MDB, PP, União Brasil, PSD, Republicanos, Novo, Podemos e PSDB. Há ainda um senador sem partido.

Estratégias e perspectivas dos senadores de esquerda

Diálogo e construção de alianças

O senador Humberto Costa (PT-PE), eleito pela terceira vez, avalia que o diálogo, já desafiador, deve se tornar ainda mais difícil com a nova composição da Casa, pois os parlamentares eleitos para o mandato que se inicia em 2027 têm um perfil mais "radical e agressivo" do que os atuais integrantes do Senado.

"O governo Lula terá maioria para aprovar alguns projetos que devem chegar ao plenário, pois já estão acertados", disse Costa, citando como exemplo a proposta de fim da escala de trabalho 6x1.

O senador aposta que temas prioritários para o governo federal, como segurança pública, dominarão os debates no Senado. Ele também prevê que a chegada dos novos parlamentares ampliará a discussão de projetos ligados às pautas de costumes, como a criminalização do aborto.

Sobre a disputa pelo comando do Senado, que elegerá seu presidente em fevereiro de 2027 para um mandato de dois anos, Costa defendeu uma aliança com setores do centrão e mencionou a possibilidade de apoio à recondução de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), condicionando esse entendimento à ausência de concessões em temas que considera inegociáveis, como a anistia a condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

A senadora eleita Samanda de Lula (PT-RN) destacou que a nova correlação de forças exigirá organização, firmeza e capacidade de articulação.

"Não se deve fazer concessão em pautas que envolvam direitos dos trabalhadores, democracia, direitos sociais, proteção das mulheres, das crianças e das populações mais vulneráveis", afirmou Samanda de Lula.

Marília Arraes (PDT-PE), senadora eleita, aposta na articulação entre parlamentares progressistas e no diálogo com setores da sociedade que não se identificam com a esquerda.

Cid Gomes (PSB-CE), reeleito para um segundo mandato, minimizou o avanço da direita na Casa e disse não ver motivo para "pânico" com a nova composição. Segundo ele, o grupo da direita, que passou de 19 para 28 integrantes, é número suficiente para pedir a abertura de uma CPI, mas insuficiente para formar maioria.

"O Senado ficará dividido em três grupos: cerca de um terço alinhado à direita, uma parcela um pouco menor de parlamentares progressistas e outra formada por senadores que tendem a apoiar o governo", avaliou Gomes.

Sobre a disputa pelo comando do Senado, Cid Gomes considera que Davi Alcolumbre está em condições mais favoráveis para construir uma maioria por meio de acordos entre os partidos, destacando as divergências internas da direita que dificultam uma candidatura unificada desse campo.

"O que eu tô vendo é que eles lá não se entendem. Rogério Marinho (PL-RN) quer ser candidato, Tereza Cristina (PP-MS). Muito mais fácil o Davi conseguir uma maioria pelos partidos", afirmou o senador do PSB.

Marília Campos (PT-MG), eleita, pretende usar sua experiência como prefeita de Contagem (MG) para buscar alianças em torno de demandas dos municípios, independentemente da orientação partidária dos demais senadores.

Atuação parlamentar e prioridades

As senadoras eleitas Samanda de Lula, Marília Arraes e Marília Campos pretendem combinar atuação nas comissões e apresentação de projetos com o uso da tribuna para dar visibilidade a pautas prioritárias e denunciar possíveis retrocessos.

Samanda de Lula afirmou que pretende usar os discursos no plenário como instrumento de diálogo com a sociedade, mas ressaltou que a atuação parlamentar não poderá se limitar à oposição às propostas da direita.

Marília Arraes destacou que a defesa dos direitos das mulheres deverá ocupar espaço central nos debates da próxima legislatura e que a presença feminina no Congresso, por si só, não assegura avanços nas políticas de igualdade e proteção.

Para a senadora eleita, será necessário buscar apoio para propostas voltadas ao enfrentamento da violência, à autonomia feminina e à independência econômica das mulheres. Marília também afirmou que pretende levar as demandas do Nordeste para o centro das discussões nacionais.

Marília Campos defende que a atuação nas comissões, nas relatorias e nas negociações entre gabinetes terá papel tão importante quanto os pronunciamentos no plenário.

Fonte original: g1.globo.com

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