O corregedor-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, considerou que a ação apresentada pelo partido Novo contra a chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) por abuso de poder político nas eleições preenche os requisitos legais.
O ministro determinou a notificação dos investigados para que apresentem defesa no prazo de cinco dias. Após a manifestação dos advogados da chapa, Villas Bôas Cueva decidirá se o processo será encerrado ou instruído para análise mais aprofundada.
A partir dessa fase, serão ouvidas testemunhas e coletadas provas para verificar se há elementos que caracterizem abuso de poder político.
Alegações do partido Novo
Na ação, o Novo apontou que o governo do presidente Lula editou 35 atos normativos, entre medidas provisórias e decretos, no período de 1º de janeiro a 16 de outubro de 2026, criando ou ampliando benefícios.
Segundo a legenda, essas medidas tiveram um impacto estimado de R$ 73 bilhões.
O partido destacou que esse número equivale à soma das medidas semelhantes editadas nos três anos anteriores: 17 em 2023, quatro em 2024 e 14 em 2025.
Além dessa ação, a corregedoria do TSE já abriu outras 11 investigações relacionadas à chapa Lula-Alckmin.
Volume recorde de ações judiciais no TSE
Na reta final do segundo turno das eleições, o TSE enfrentava um volume recorde de processos e decisões inéditas sobre tecnologia relacionadas à disputa presidencial.
Mais de 800 ações foram recebidas, mais do que o dobro das 325 registradas no mesmo período em 2022 e das 388 em 2018.
A disputa jurídica entre as campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) se intensificou no segundo turno, com discussões sobre estratégias nas redes sociais e distribuição de conteúdo no WhatsApp.
As ações de investigação judicial eleitoral (AIJEs), que apuram possíveis abusos de poder político, econômico ou de autoridade, podem resultar em cassação e inelegibilidade, e costumam ser mais demoradas devido à fase extensa de coleta de provas.
Posicionamento dos partidos
Levantamento feito pela TV Globo e pelo g1 a partir de notas oficiais, assessorias e publicações das legendas e de seus dirigentes indicou que 27 partidos reconheceram a vitória do petista Luiz Inácio Lula da Silva.
O partido Novo questionou as instituições e afirmou que o país "não é uma democracia"; um partido não se manifestou.
O Novo adotou uma posição crítica e publicou uma manifestação afirmando que Lula utilizou a máquina pública para se reeleger e levantando questionamentos sobre o regime democrático brasileiro.







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